Venham as Equipas B!
Antes de ser acusado de “clickbait”,
algo tão em voga por estes dias, quero já esclarecer que não venho falar nas
equipas B profissionais (talvez num próximo texto, quem sabe), mas sim das
equipas B nos escalões de formação.
Já vivi uma situação em que
fui treinador de uma equipa de iniciados onde faziam parte jogadores de primeiro
ano e de segundo, ou seja, jogadores que seriam iniciados pela primeira vez, experienciando
pela primeira vez o futebol 11, e jogadores que eram iniciados pelo segundo
ano, ou seja, que já jogavam futebol 11 há uma época. Devo dizer que foi quando
tomei mais consciência de que as equipas B são importantíssimas no futebol de formação,
em especial para quem passa do futebol 7 para o futebol 11, onde é uma das
fases mais difíceis para os jovens futebolistas. As dimensões do campo
aumentam, as posições em campo mudam, o esforço pode vir a ser maior, as bolas
são mais pesadas, o tempo de jogo aumenta, ou seja, as diferenças são muitas.
Se por um lado, todos
ficámos satisfeitos com as nossas classificações, tanto na fase regular, como
no torneio complementar, a verdade é que mesmo sem objetivos definidos, não foi
fácil a gestão do grupo.
Por um lado, os jogadores
mais velhos que querem ganhar sempre e que entendem que devem sempre jogar os
melhores, por outro os mais jovens que vinham habituados a jogar em todos os
jogos, a jogar muito tempo, ou a pelo menos, terem tempos similares entre si.
O ter que optar entre dois
jogadores onde vemos qualidade, mas que um já tem essa qualidade adquirida e
tudo o que constrói já é sobre esta, e um jogador que tem essa qualidade em potência,
mas que ainda não é capaz de a demonstrar, por falta de adaptação ou por fatores
físicos, inerentes a ser mais novo do que foi referenciado anteriormente, não é
uma tarefa fácil!
É aqui que aparece a
importância da equipa B.
A equipa B neste caso servem
para dar tempo aos atletas, para transmitir rotinas, e para permitir que a
habituação ao futebol 11 seja muito mais tranquila, sem a pressão das equipas
A, que mesmo sem objetivos, terão sempre a vontade secreta de ficar o mais
acima na tabela possível e quem sabe, lutar por um lugar de subida.
Já assisti a situações de
equipas B a serem prejudicadas e ficando sem jogadores para completar a equipa
titular e a ter que chamar atletas mais jovens do escalão abaixo. Vivo neste
momento uma cooperação entre equipa A (onde faço parte da equipa técnica), com
a equipa B, onde a “subida” e a “descida” de jogadores é constante, podendo
sempre qualquer jogador B vir a ser útil na A, mas onde infelizmente o inverso
não é possível, pois atletas de segundo ano não podem atuar pela equipa B, mas
que nunca levou nem nunca levará a que tal equipa B seja prejudicada nos seus
objetivos de formar e adaptar jogadores.
Uma boa cooperação entre uma
equipa A e uma equipa B pode levar a que esses nomes (A e B) sejam esquecidos, tornando
as duas equipas numa só e que todos os atletas se conheçam e haja um excelente
clima entre si, o que acelera a adaptação cada vez que um atleta é chamado de
uma equipa para a outra.
Na minha opinião, penso que
é benéfica a existência de equipas B até ao escalão de juvenis, embora perceba
que onde existe uma maior taxa de abandono seja no escalão de juniores, a
verdade é que no escalão de juniores é onde se preparam os jogadores para o
escalão de séniores, não fazendo sentido, portanto ter jogadores que disputam
uma competição abaixo dos A e abaixo da competitividade de sénior, podendo
levar a uma fraqueza na equipa A. Mais uma vez, na minha opinião, uma equipa júnior
deve ser o mais forte possível, não só para atingir o escalão mais acima possível,
mas também para trazer qualidade comprovada para a equipa sénior no ano
seguinte.
Aqui fica mais um texto, com
os votos de poder vir a postar muito mais regularmente a partir de agora.
Luís
Pescadinha

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