O Início


Não seria meu começar esta série de textos neste meu novo projeto sem mencionar como é que descobri que gostaria de ser treinador de futebol.
Joguei futebol federado, nunca a um alto nível, provavelmente nem a um médio nível, pois a qualidade não era assim tanta… Mas sempre foi o meu desporto predileto, ora a jogar, ora a ver. Não passava um dia sem tocar na bola, fosse na escola, fosse na minha rua. Por vezes, após o treino, já cansado de um dia de escola e de treinar em seguida, lá era desafiado e lá ia eu para a rua, pois o futebol sempre foi uma das coisas que me movia.
Após esse período da minha infância, onde decidi que “ia pendurar as chuteiras”, qual craque, não por achar que o era, mas por uma má relação com o treinador da altura, que juntamente com o primeiro namorico da adolescência, o qual achamos sempre que é para a vida toda, me fez desistir de jogar.
Veio então o fator mais importante desta história.





Através de um amigo de infância, fiquei a conhecer esse impressionante jogo.
Não tinha gráficos extraordinários, não tinha dinossauros, não se faziam casas para a família, nem tão pouco tinha naves espaciais, mas tinha uma coisa que me agradava: podia ser treinador de futebol.
Havia qualquer coisa naquele jogo que me fazia voltar, ora hoje a treinar uma equipa, ora amanhã outra. Ora hoje o Benny McCarthy marcava o golo da vitória do clube que eu treinava, como amanhã o Gary Neville fazia um penalti ao minuto 89 e perdia o jogo… Mas no dia seguinte lá estava eu novamente.
Trabalhos da escola terminados, lá estava eu em frente ao computador!
Só parava para comer, dormir, ou se houvesse alguém na rua para jogar futebol, pois melhor do que treinar alguém virtual, só estava o poder de “fazer um tunel” a um amigo na rua, chutar contra um carro e ter os vizinhos o resto da noite plantados à janela para ver o que fazíamos, qual Big Brother, mas que nos fazia sentir que tínhamos o estádio cheio... Mas voltando ao tema!
Não existiam jogadores a correr durante os jogos, não tínhamos acesso a como a jogada decorreu visualmente, não tínhamos as “bolinhas” que mais tarde apareceram como a melhor invenção de sempre. Tudo o que tínhamos era uma pequena caixa de texto, onde era comentado o jogo, texto esse que na maioria das vezes não era lido, tal a velocidade, ficando nós à espera então de ver essa caixa de texto a piscar e a dizer “GOLO!”.




A primeira fase era ler a palavra golo, depois disso tínhamos que perceber se tinha sido da nossa equipa, ao ver a cor do comentário, mas restavam ainda cerca de 2/3 segundos para aguentar a respiração, pois poderia vir o comentário a dizer que tinha sido anulado por fora-de-jogo.
Daí até agora foi um saltinho.
O bichinho nasceu, cresceu, como eu, mas o jogo continua cá, já não como Championship Manager, mas como Football Manager, o que me fez, e ainda faz, gostar de ser treinador de futebol.
Tenho apenas o nível 1 de treinador e 6 anos de experiência, mas o futuro ninguém sabe, a vida dá muitas voltas, mas seja onde for que ela pare, eu sei de onde partiu isto tudo e porque é que gosto tanto de treinar, de todos os miúdos que já treinei, alguns agora já homens, e o porquê de gostar tanto de futebol.

Obrigado Championship Manager!




Luís Pescadinha

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