Devolvam o futebol a quem é do futebol



É com esta imagem que começo este meu texto desta semana. O programa “Titulares” da Sporttv+ tornou-se uma lufada de ar fresco no mundo do futebol em Portugal.
Numa era em que ouvimos cada vez mais pessoas que nunca jogaram futebol ao mais alto nível, algumas nem nunca calçaram umas chuteiras, a comentar futebol, a fazerem-se de entendidos na matéria, é com muito agrado que sempre que posso, não perco este programa.
Atenção, isto não é uma critica a quem assiste regularmente a programas como o “Prolongamento” da TVI24 e outros, mas sim o enaltecer do programa da Sporttv+. Cada um tem os seus gostos e com certeza que existem pessoas que preferem uma boa picardia com ofensas verbais com o futebol como pano de fundo, enquanto que existem outras, que é o meu caso, que preferem ouvir falar de futebol.
Jogos analisados, lances esmiuçados, tops do melhor da semana, a rubrica “Um outro olhar”, tudo é positivo neste programa.
Falta-me falar no que mais se destaca neste programa, na minha opinião. Pessoas do futebol a falarem de futebol.
Simão Sabrosa, antigo internacional português, uma carreira recheada de títulos por onde passou, com uma qualidade enorme, capitão do SL Benfica e da Seleção Nacional.
Ricardo, antigo guarda-redes do Sporting CP, antigo internacional português, decisivo em muitas campanhas da nossa Seleção.
Chaínho, antigo jogador do FC Porto, agora treinador de futebol, embora no inativo de momento.
Pedro Henriques, ex-árbitro da Primeira Liga.
Isto tudo sobre o comando de Miguel Prates, para mim o melhor jornalista desportivo em televisão da atualidade.
Numa altura em que tanto se discutem jogos de bastidores, irregularidades, guerras e até casos graves que ultrapassam o futebol em si, mas que partem deste, este programa vai buscar o que de bom se faz noutros países, em Inglaterra por exemplo, onde antigos futebolistas como Ryan Giggs, Paul Scholes, Thierry Henry, Gary Neville, Jamie Carragher, isto para citar alguns, comentam futebol, analisam futebol e debatem futebol.
Não quero com isto dizer que quem não jogou futebol ou não teve sucesso ao fazê-lo não tem qualidade para comentar, claro que tem. Luís Freitas Lobo é um bom exemplo disso, é um entendido na matéria e parece saber, por vezes, talvez mais do que muitos treinadores que pela Primeira Liga passam. Mas uma coisa é ter estudado para isso, outra completamente diferente é ter feito tudo aquilo que se fala. Noutras áreas, é ao contrário, não basta ter sido presidente de uma Associação de Estudantes para se ter qualificações para ser político. Todas as áreas têm as suas vicissitudes, no caso do futebol, no meu entender, deve falar quem sabe e quem já viveu de perto o que é ser jogador de futebol, treinador de futebol, o que se vive num balneário, o que implica ter sucesso neste desporto.
Mas não se trata apenas de programas de televisão.
Quantos presidentes da Liga de Clubes já tivemos neste país que de futebol pouco ou nada percebiam?
Quantos desses deram prejuízo ou prejudicaram as competições e os seus clubes participantes?
Não estou com isto a defender Pedro Proença, cujo o trabalho só se poderá avaliar no dia em que sair, mas pelo que tem feito até agora, tem saldo positivo, na minha opinião. Pedro Proença foi árbitro de futebol, um dos melhores do mundo para a FIFA. Isto só pode qualifica-lo com distinção para qualquer cargo no futebol em Portugal, e assim aconteceu.
Não pretendo com isto sugerir que todas as pessoas que não são do futebol sejam afastadas da televisão, apenas peço mais espaço para quem foi.
O futebol português só tem a ganhar com isso, e todos nós também!




Luís Pescadinha

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